Dois dos principais hospitais de Piracicaba, o HFC Saúde e a Santa Casa, fizeram um alerta sobre os impactos financeiros provocados por mudanças adotadas pela Prefeitura nos repasses de recursos municipais. As instituições apontam que a alteração no pagamento pelos serviços prestados ao município vai comprometer o atendimento à população, especialmente em áreas de média e alta complexidade.
No caso do HFC Saúde, o contrato com o município para 2026 prevê cortes que devem gerar um déficit mensal estimado em R$ 2,3 milhões. Em um ano, o impacto pode chegar a aproximadamente R$ 27 milhões. A unidade, que é referência em atendimentos hospitalares na região, afirma que a diminuição dos recursos exige reavaliações operacionais e pode limitar a oferta de procedimentos e internações.
Já a Santa Casa de Piracicaba relata que um novo POA (Plano Operativo Anual), definido de forma unilateral pelo município, resultou em uma redução superior a 60% nos incentivos financeiros municipais. O impacto anual é estimado em R$ 19,2 milhões, além de uma queda de 13% no financiamento total da instituição. Segundo a entidade, os valores atualmente repassados não são suficientes para cobrir os custos da operação hospitalar, que incluem despesas com equipes médicas, insumos, medicamentos e manutenção da estrutura.
As duas instituições destacam que atendem majoritariamente pacientes do SUS e atendem demandas que incluem urgência, cirurgias e tratamentos de maior complexidade.
Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal nesta terça-feira (4), o vereador Marco Bicheiro (PSDB) criticou a decisão do Executivo e questionou as prioridades da administração municipal. Segundo ele, a alteração unilateral no POA da Santa Casa e os cortes aplicados ao Hospital dos Fornecedores de Cana podem agravar a situação da saúde pública no município.
“O impacto é direto na ponta, no atendimento à população. Quando faltarem leitos, médicos ou estrutura, alguém vai ter que responder por isso”, afirmou o vereador, que é médico da rede pública. Ele também questionou a destinação de recursos públicos para outras áreas, comparando investimentos em obras e publicidade com a redução de repasses para a saúde. A Prefeitura foi procurada pelo Giro 19 mas não se manifestou.
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