R$ 534,48 milhões. Esse é o impacto financeiro estimado da falta de representação política para Piracicaba, considerando o montante já deixado de receber e o potencial de recursos a serem recebidos pelo município. O valor é o resultado da soma de R$ 320 milhões que o município deixou de captar desde 2019 — quando ficou sem um representante próprio na Câmara dos Deputados, em Brasília — com os R$ 214,48 milhões projetados e que a cidade poderá obter nos próximos quatro anos, caso eleja um deputado federal e um deputado estadual nas eleições de outubro de 2026.
Os montantes embasam a campanha institucional, apartidária e informativa Escolha Quem é de Piracicaba, lançada nesta quinta-feira (13), pela Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Simespi (Sindicato Patronal das Indústrias Metalomecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo) e Pecege (Instituto de Pesquisas e Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), para imprensa, autoridades, parceiros e convidados.
A iniciativa tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância estratégica da representatividade política para o desenvolvimento socioeconômico do município. A proposta é estimular o eleitor a conhecer os candidatos, avaliar seus vínculos e compromissos com a região e, posteriormente, acompanhar a atuação dos representantes eleitos.
Para dimensionar o reflexo prático dessa lacuna, o estudo técnico realizado pelas entidades realizados estimou em R$ 320 milhões o montante deixado de ser recebido por Piracicaba. Como o município não conta com um deputado federal próprio desde o término do mandato em janeiro de 2019, Piracicaba caminha para o seu oitavo ano consecutivo sem representação própria em Brasília, acumulando um potencial estimado em R$ 320 milhões não captados no período de 2019 a 2025, último ano orçamentário fechado.
Com base nas médias históricas e recentes de recursos geridos por um gabinete federal, estima-se que cada parlamentar disponha de um potencial médio anual de aproximadamente R$ 45,7 milhões em emendas (somando individuais e de bancada/comissão direcionadas). O cálculo é uma projeção ilustrativa para demonstrar a magnitude dos recursos federais geridos por mandatos legislativos.
Para os próximos quatro anos (2027 a 2030), um deputado federal e um deputado estadual podem movimentar, em conjunto, até R$ 214,48 milhões em emendas individuais, considerando os valores de 2026 como referência. No caso de um deputado federal, são aproximadamente R$ 40,2 milhões por ano, o que representa R$ 160,8 milhões ao longo de um mandato. Para um deputado estadual, a estimativa é de R$ 13,42 milhões anuais, ou R$ 53,68 milhões em quatro anos.
Para tornar a análise mais realista e conservadora, a campanha simulou a destinação de 25% desse potencial bruto especificamente para Piracicaba. Nesse cenário moderado, o município garantiria cerca de R$ 53,62 milhões ao longo de quatro anos — sendo R$ 40,2 milhões oriundos da parcela hipotética de um deputado federal (equivalente a 25% dos R$ 160,8 milhões do mandato) e R$ 13,42 milhões da parcela hipotética de um deputado estadual (equivalente a 25% dos R$ 53,68 milhões do mandato).
O histórico do município reúne ainda equipamentos e investimentos cuja implantação esteve relacionada à articulação de representantes políticos em diferentes períodos, entre eles o Hospital Regional, o AME (Ambulatório Médico de Especialidades), o Poupatempo, a Base do Helicóptero Águia, a sede do CPI-9, UTIs Neonatal, Coronariana e Pediátrica, além de intervenções viárias e investimentos em educação profissional, como Etec, Fatec e Instituto Federal.
Mauricio Benato, presidente da Acipi, explica que a iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento da representação política. “Nosso propósito é promover uma conscientização cívica sobre a importância da representatividade política para o desenvolvimento do município, mostrando à população as consequências que a falta de representantes pode trazer para uma cidade como Piracicaba. É uma iniciativa institucional, apartidária e voltada exclusivamente ao interesse coletivo”.
Para o presidente do Simespi, Paulo Estevam Camargo, a discussão ultrapassa interesses setoriais e diz respeito ao desenvolvimento do município como um todo. “Piracicaba precisa voltar a ter maior representatividade política. Estamos há muitos anos sem um deputado federal e sabemos que muitas decisões importantes passam por Brasília. A escolha é do eleitor e nós, como entidades, oferecemos nossa contribuição para conscientizar a população sobre a importância desse tema para o desenvolvimento da cidade”.
Marcos Farhat, presidente da Coplacana, destaca que a mobilização conjunta amplia o alcance da mensagem e reforça o compromisso institucional das entidades com o futuro do município. “Essa é uma iniciativa que une entidades de diferentes segmentos em torno de um objetivo comum: conscientizar a população sobre a importância da representatividade política para o desenvolvimento de Piracicaba. Quanto mais unida estiver a sociedade organizada, maior será a capacidade de levar essa mensagem à população”.
Na avaliação do diretor executivo do Pecege, Daniel Sonoda, a atuação conjunta fortalece o caráter institucional da campanha e evidencia a necessidade de ampliar o debate. “Quando entidades com propósitos semelhantes trabalham juntas em torno de um objetivo comum, o resultado tende a ser mais efetivo. A falta de interlocução nas esferas estadual e federal dificulta o encaminhamento de demandas importantes para o município, por isso iniciativas de conscientização como essa são relevantes”.
Tags:
Acipi | Brasília | Câmara dos deputados | eleições 2026 | Política