Entre os dias 5 e 7 de setembro, a comunidade do Bode, no Pina, Zona Sul do Recife, será tomada por tintas, rimas afiadas e vozes potentes. É a 13ª edição do Festival Internacional de Artes Pão e Tinta, que este ano traz o tema Quebrada de Mar e Mangue e celebra o cinquentenário do Hip-Hop.

Quando nós fazemos essa manifestação cultural dentro da comunidade, estamos também fazendo um debate importante sobre o direito ao território, ou seja, a gente está usando a arte como ferramenta de demarcação de território para debater direito ao território e direito à cidade, explica Matheus Drama, do Coletivo Pão e Tinta, organizador do evento.

Durante três dias, cerca de 30 artistas do graffiti pernambucanos, brasileiros de outras regiões e convidados internacionais transformarão a comunidade em um imenso mural urbano. As obras trazem mensagens de identidade, preservação ambiental, ancestralidade e resistência periférica.

A Arte nos dá o poder para pintar um novo futuro, adaptando e fortalecendo o território através das vivências para que assim possamos subverter a margem transformando-a em um espaço mais acolhedor e inclusivo para todes, uma arte que soma ao invés de excluir, diz Inay Victoria, também do Coletivo Pão e Tinta.

Com programação na Livroteca Brincante do Pina, o festival inclui batalhas de rima, rodas de diálogo, oficinas e shows de rap, coco, dança de rua e poesia falada. Tudo pensado para ser acessível: haverá oficinas de graffiti em Libras, painéis táteis para pessoas com deficiência visual, audiodescrição ao vivo e sinalização inclusiva.

Outra iniciativa será o leilão de obras de artistas convidados, cujo objetivo é democratizar o acesso à arte e levantar recursos para ações culturais na comunidade. Cada artista também doará uma peça para a Pinacoteca do Pão e Tinta, coleção que nasce e permanece nas periferias.

A edição 2025 presta homenagem a dois nomes fundamentais da cultura e do pensamento brasileiro: Chico Science e Josué de Castro.

O Coletivo Pão e Tinta, que organiza o festival desde 2012, tem o graffiti como ferramenta pedagógica e de conscientização. Com suas ações, o grupo denuncia desigualdades, combate o racismo e fortalece o direito à cidade a partir da periferia.

Confira aqui a programação.

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Direito à Cidade