Uma pesquisa do Cefavela (Centro de Estudos das Favelas), ligado à UFABC (Universidade Federal do ABC, apontou que as favelas de São Paulo são até 15ºC mais quentes que bairros ricos. Um dos motivos para isso é a falta de árvores, realidade de várias periferias de São Paulo.
Mesmo em regiões como o extremo sul da cidade, que é uma APA (Área de Proteção Ambiental), a vegetação nem sempre está presente perto das moradias.
Pensando nesse cenário, moradores do extremo sul da cidade decidiram se unir em uma corrente solidária em prol do plantio de árvores. Nesta fotorreportagem, a Agência Mural mostra três iniciativas que lutam por justiça climática e social e pela garantia do direito à vida.
Criado em 2021, o Formigas-de-Embaúba promove educação ambiental por meio do plantio de mini florestas comunitárias. O coletivo já plantou 52 florestas @Isabela Alves/Agência Mural
No Jardim Prainha, no Grajaú, duas mini florestas foram plantadas com professores e alunos da escola estadual Mariazinha Congílio @Isabela Alves/Agência Mural
Sou dessa geração que não viu muito verde na quebrada. Queremos recuperar a Mata Atlântica que foi tirada de nós, afirma Evelyn Nascimento, 28, pedagoga e educadora ambiental
Além do plantio, o grupo desenvolve um projeto pedagógico e acompanha a preservação das áreas. Para muitos estudantes, foi a primeira vez que plantaram uma árvore @Isabela Alves/Agência Mural
Depois que uma mini floresta é plantada, a gente percebe um aumento na quantidade de borboletas, lagartas, abelhas e passarinhos. Estamos falando de um coletivo de vidas que passa a habitar aquele espaço, conta Evelyn @Isabela Alves/Agência Mural
O grupo defende que a falta de árvores agrava as enchentes, além de destacar a dificuldade de acesso ao verde e à alimentação saudável nas periferias @Isabela Alves/Agência Mural
Quando falamos em plantar e transformar o território, também estamos falando sobre se reconhecer e valorizar esse lugar. Plantar é retomada, conclui Evelyn @Isabela Alves/Agência Mural
Também no Grajaú, o Florestar Transforma começou pela indignação do professor de geografia Valmir Miranda, incomodado ao ver lixo e móveis descartados em frente à escola estadual Professor Carlos Ayres @Isabela Alves/Agência Mural
Com a turma da 8ª série, começaram plantando arecas-bambu nos muros. No Sesc Interlagos, conheceram o projeto Adote Uma Árvore, que doou mudas e contribuiu para a conscientização sobre a Mata Atlântica @Isabela Alves/Agência Mural
A gente despertou paixão nos estudantes. Não teve como parar, diz Valmir. O projeto completa 10 anos em 2026, e ultrapassou os muros da escola: mais de 5.500 árvores foram plantadas em praças e espaços antes ocupados por lixo @Isabela Alves/Agência Mural
Todo ano tem uma turma que não me deixa só, conta Valmir. A gente planta uma árvore e logo um passarinho faz ninho ali. Se amo a natureza, por que não preservar?, completa Murilo Silva, 15, aluno da escola @Isabela Alves/Agência Mural
O racismo se materializa no território, geralmente na periferia, onde estão corpos negros e indígenas. Por isso, plantar é também um ato antirracista, afirma o educador
Em Parelheiros, a campanha Contra o racismo, eu planto levou 10.639 árvores à região, número que faz referência à lei que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas @Isabela Alves/Agência Mural
A iniciativa ocorre em um terreno doado pelo poder público ao IBEAC (Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário) e à Cooperapas (Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo) @Isabela Alves/Agência Mural
A ação é uma compensação ambiental pela retirada de árvores de pínus. Por não serem nativas, essa espécie causou degradação das nascentes e da Mata Atlântica, impactando fortemente os ecossistemas locais @Isabela Alves/Agência Mural
A derrubada causou apreensão entre os moradores. É agressivo ouvir a serra elétrica. Fomos explicar nas casas e comércios o que estava acontecendo, relata Bel Santos Mayer, 58, educadora social e coordenadora do instituto @Isabela Alves/Agência Mural
Os plantios comunitários reuniram pessoas de 3 a 80 anos, unidas pelo desejo de reconstruir o território. Para o futuro, o grupo almeja criar uma agrofloresta e reabrir a biblioteca Caminhos da Leitura, retirada do Cemitério da Colônia durante a pandemia @Isabela Alves/Agência Mural
Parelheiros abriga a terceira maior população negra da cidade. Com isso, os organizadores apontam que o plantio se torna também uma ação antirracista @Isabela Alves/Agência Mural
Será que não temos o direito humano de vivenciar a natureza, de testemunhar a vida se refazer? Quando colocamos a mão na terra e vemos algo crescer, sentimos: eu posso ser dono do que criei. Para mim, isso é revolucionário, completa Bel @Isabela Alves/Agência Mural
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