Quando o carnê do IPTU chega, Glaucia Ramalho, 56, já se programa para mais uma conta no mês. Policial aposentada e moradora do Jardim Paulistano, na zona norte de São Paulo, ela vive há anos em uma região que cresce em número de moradias, mas não na qualidade de serviços públicos.
A preocupação é que, a partir de janeiro de 2026, esse desequilíbrio pese ainda mais no orçamento: a região pode ter aumento de até 91% no imposto. A prefeitura afirma que o valor não será aplicado de uma vez, mas diluído com reajustes nos próximos anos.
‘O valor não corresponde ao que o bairro oferece. Aqui falta muita coisa, como segurança, iluminação e transporte. Pagamos caro e não temos estrutura nem serviços de qualidade’
Glaucia, aposentada
O projeto de lei 1130/2025, aprovado pela Câmara Municipal em 29 de outubro, prevê uma mudança na PGV (Planta Genérica de Valores), que serve como base para o cálculo do imposto e determina o valor venal dos imóveis a partir da valorização registrada nos últimos quatro anos.
De acordo com levantamento feito pelo gabinete do vereador Celso Giannazi (PSOL), uma das regiões mais afetadas é a zona norte, especialmente os distritos de Jaraguá e Pirituba, que tiveram o aumento de 91%. O estudo também aponta que dois terços dos contribuintes terão valorização acima de 40% nos valores venais dos imóveis, enquanto apenas 0,24% terão redução.
Obras do empreendimento “Cidade Sete Sóis” da construtora MRV, em Pirituba @Matheus Leitão/Agência Mural
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que a revisão da Planta Genérica de Valores é uma exigência legal e ocorre a cada quatro anos. O poder público afirma que ao menos um milhão de imóveis são isentos do IPTU na cidade e outros 500 mil recebem desconto.
Apesar do aumento, a gestão diz que limitou a aplicação do imposto em 10% ao ano para imóveis residenciais e 12% para imóveis comerciais. Na prática, o reajuste será diluído ao longo dos anos.
No caso de Pirituba, por exemplo, um imóvel que tenha valorização de 90% terá esse aumento dividido em até nove anos.
Ainda assim, o impacto no bolso já é uma preocupação dos moradores. Impacta bastante, porque já é difícil equilibrar as contas. Cada reajuste pesa, principalmente para quem vive na periferia e não tem tanta folga no orçamento, afirma a policial aposentada.
A proposta também ampliou a faixa de isenção do imposto. Imóveis com valor de até R$ 150 mil não pagarão IPTU – antes o limite era de R$ 120 mil. Proprietários de um único imóvel avaliado em até R$ 260 mil também ficam isentos (antes o valor era R$ 230 mil).
Pirituba vive boom imobiliário
A zona noroeste da capital, que inclui a região de Pirituba, tem vivido um crescimento imobiliário nos últimos anos. A Agência Mural checou pesquisas de duas administradoras e construtoras de imóveis. A administradora imobiliária SYN afirma que deve entregar mais de 29 mil unidades residenciais na região até 2027, sendo pouco mais de 21 mil vinculadas ao programa Minha Casa, Minha Vida.
Além disso, a construtora MRV tem investido na construção de um empreendimento com 11 mil moradias, que tem a estimativa de receber 30 mil moradores ao longo de até dez anos.
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