Quem conhece Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, sabe que por lá não faltam boas opções de locais para comer. Além da forte presença da culinária nordestina reflexo da história de migração da comunidade , é fácil encontrar lanchonetes, hamburguerias, confeitarias e uma série de restaurantes.
Foi neste cenário já competitivo que Raphael Braga Almeida, 25, decidiu apostar no diferente e abrir o primeiro – e até então único – restaurante mexicano de Paraisópolis: o Bom Burrito.
Morador da comunidade desde que nasceu, Raphael viu no ramo dos restaurantes uma oportunidade de empreender sem repetir fórmulas já conhecidas.
Raphael Braga, dono do Bom Burrito, restaurante mexicano, em Paraisópolis @Ellie Sasi/Agência Mural
Ele teve a ideia de abrir um mexicano em Paraisópolis em 2022, pelo seu interesse na culinária típica do país e pela percepção que não havia um local na sua quebrada para experimentá-la – o restaurante mexicano mais próximo fica no bairro do Morumbim a cerca de 3 km de distância.
‘Criar coragem foi o primeiro passo’
Raphael Braga, dono do Bom Burrito
Em 2020, antes de abrir o restaurante, que funciona em formato delivery, o jovem investiu em cursos livres de gastronomia, auxiliar de cozinha e panificação, além de um curso de empreendedorismo no Sebrae que deu a ele a inspiração para a criação do restaurante mexicano e inovar na sua comunidade.
Sem experiência profissional com os sabores e temperos mexicanos, ele desenvolveu suas receitas de maneira autodidata, a partir da observação do que era servido em outros estabelecimentos e de pesquisas na internet.
Ainda assim, tirar o projeto do papel levou tempo – em especial para ter a coragem de arriscar. Comprei uma chapa e ela ficou parada quatro meses no meu quarto. O mais difícil foi agir. Depois foi tranquilo. Tenho o Bom Burrito há 3 anos e só o processo de começar durou 1 ano.
Raphael preparando o nacho, comida mexicana na cozinha do restaurante @Ellie Sasi/Agência Mural
A cozinha do Bom Burrito fica na casa do Raphael e, no início, ele tocava o negócio sozinho, contando apenas com ajuda de familiares em momentos esporádicos. Atualmente, no restaurante trabalham ele e o chapeiro Pablo.
Na jornada dupla
Até o momento, o restaurante mexicano ainda não é a principal fonte de renda de Raphael. Durante o dia, ele trabalha como motoboy em uma hamburgueria na Vila Sônia, na zona sul de São Paulo.
‘Trabalho lá das 12h às 15h. Aí depois eu volto e faço a correria para poder abrir o Bom Burrito às 18h. O lucro ajuda a manter o restaurante e pagar o funcionário. Como motoboy consigo pagar minhas despesas pessoais’
Raphael
O Bom Burrito funciona todos os dias da semana, exceto às terças-feiras, das 18h às 23h. A média diária de entregas é de seis lanches e, segundo Raphael, o recorde de pedidos foi de 20 em um único dia.
O carro-chefe do restaurante não poderia ser outro: o burrito. Mas o cardápio também conta com pratos típicos, como tacos, nachos e quesadillas.
Resultados promissores
Desde a abertura do Bom Burrito, Raphael percebe uma evolução constante da clientela, impulsionada principalmente pelo boca a boca e por vídeos produzidos para o Instagram.
Nas redes sociais do restaurante, o jovem oferece burritos e tacos para comerciantes locais provarem e avaliarem a qualidade dos produtos. E como resultado, mais moradores se sentem motivados a experimentar as iguarias mexicanas, que até pouco tempo atrás não eram vendidas em Paraisópolis.
A minha maior dificuldade é o abacate, porque o pessoal ainda estranha. Eles falam: tá botando abacate na comida?. Eu tenho a opção só com vinagrete justamente para facilitar e captar esses clientes, conta Raphael.
Expansão nos planos
Raphael também tem buscado ampliar a presença do restaurante na comunidade, participando de eventos.
O primeiro aconteceu na avenida Hebe Camargo, em parceria com os meninos [da chopperia] No Chopp. Lá, eu fiz um burrito de pernil marinado na cerveja IPA. Fez tanto sucesso que coloquei oficialmente no cardápio. Depois participamos do Hip-hop contra a fome, que também rola na Hebe.
Raphael e o chapeiro Pablo na cozinha @Ellie Sasi/Agência Mural
Para o futuro, Raphael planeja abrir um ponto físico em Paraisópolis, mas de forma gradual. A ideia é ter um espaço visível na rua, com algumas cadeiras para consumo no local. A longo prazo, ele também pensa em levar o Bom Burrito para outros lugares.
Primeiro quero estabilizar o delivery para depois abrir o [espaço] físico e aumentar o número de motoboys, porque eu atendo, faço entregas e ajudo na cozinha. Quero expandir e quem sabe abrir outras franquias em outras comunidades, conclui.
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