O pai foi, mas ficou o empreendimento, diz Renato Cléber da Corse, 34, ao relembrar a história do pai, que faleceu em 2023. Por 40 anos, Carlos Henrique Acorsi trabalhou na Praça Brasil, na Cohab José Bonifácio, em Itaquera, zona leste de São Paulo, onde vendia pipocas com o filho.

Para Renato, continuar no ponto é mais do que garantir renda: é manter ativo o trabalho que sustentou a família por mais de quatro décadas e que tem um movimento que varia bastante.

Renato trabalha junto com a esposa Iara na barraca de pipocas @Anna Celli/Agência Mural

‘Tem dias que é correria, tem dias que está parado. Um dia pelo outro. O clima também interfere nas vendas. Quando o tempo está ruim, às vezes nem saio ou acabo me escondendo pra não molhar o carrinho’

Renato, vendedor

O pai começou a trabalhar com pipoca em 1982 depois de tentar outras atividades, como churrasco e jogo do bicho. Com o tempo, consolidou o ponto na Cohab e se tornou conhecido pelos moradores da região.

Antes de assumir o negócio, Renato já ajudava Carlos e chegou a trabalhar como operador de telemarketing. Ele conta que o emprego com carteira assinada não oferecia estabilidade financeira. É melhor trabalhar pra gente do que pros outros, afirma.

Após o falecimento de Carlos, em abril de 2023, devido a um infarto, Renato assumiu o carrinho e passou a tocar o comércio com a esposa, Iara Roque de Freitas, ampliando as vendas com batatas, bebidas e brinquedos.

A rotina na Praça Brasil mostra como o trabalho informal ainda é base econômica para algumas famílias das periferias. A presença constante de vendedores de rua faz parte da dinâmica desses bairros, onde o comércio ambulante funciona como alternativa à falta de emprego formal e, no caso de Renato, até como herança passada entre gerações.

Iara ajuda no preparo das pipocas e no atendimento @Anna Celli/Agência Mural

De acordo com dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pelo IBGE, o estado de São Paulo mantém um índice de 29,3%, o que corresponde a um contingente de aproximadamente 4 milhões de trabalhadores sem carteira assinada ou trabalhando por conta própria.

O carrinho de pipoca de Renato representa uma dessas histórias: um pequeno negócio familiar que atravessa décadas e se mantém como forma de sustento em meio às transformações econômicas da cidade.

Mesmo com as dificuldades, Renato mantém a licença de funcionamento e trabalha de forma regularizada. Ele e a esposa dividem as funções: ela cuida do estoque, prepara parte dos produtos e ajuda no atendimento. O casal sustenta o filho, Luigi, de 5 anos, com a renda do carrinho.

Renato diversificou as vendas com brinquedos para atrair mais clientes @Anna Celli/Agência Mural

Tentando garantir uma renda mais estável, o vendedor decidiu ampliar o negócio. Ele leva o carrinho de pipocas na porta de escolas e creches na região, nos horários em que não há muito movimento na praça. Também decidiu colocar outros produtos.

Começamos a vender doces e as pessoas perguntavam se tinha brinquedo. Aí eu e minha esposa fomos atrás e começamos a colocar carrinho, bonequinho, avatar. A criançada gosta, conta.

Agência Mural

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