O levantamento também investigou quais são as principais renúncias que uma mulher faz para crescer profissionalmente. Entre as entrevistadas, três em cada quatro (74%) precisaram abrir mão do autocuidado, o que envolve saúde física e hobbies.
As outras áreas da vida mais sacrificadas em nome da carreira foram o tempo com a família (53%) e a saúde mental (53%). A renúncia ao lazer foi citada por 37% e a maternidade ou o desejo de ter filhos por uma em cada quatro entrevistadas.
Quando a gente se coloca nessa lista de prioridades, fica lá embaixo. Eu [mulher] não abro mão dos meus filhos, não abro mão de entregas do meu trabalho, não abro mão de cuidar dos meus amigos, analisa Simone.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, os atendimentos relacionados à Síndrome de Burnout (esgotamento profissional) aumentaram 54% entre as mulheres em 2023 no Sistema Único de Saúde (SUS), em comparação a 2024. Os números superam os casos entre homens.
Mudanças no mercado
A avaliação das renúncias feitas ao longo da carreira também se altera de acordo com a faixa etária. Entre as mais jovens (18 a 24 anos), as maiores perdas foram na vida social e no lazer (50%) e em relacionamentos afetivos (32%). Entre as que têm entre 25 e 40 anos, a maioria destacou que abriu mão da saúde mental (58%). Já entre as mais velhas, o tempo com a família foi o maior sacrifício feito para subir na carreira, apontado por 60%.
Simone avalia que as diferentes percepções para cada faixa etária têm relação com as mudanças no mercado de trabalho e o crescimento da participação feminina em cargos de liderança.
Há 20 anos, se exigia ainda mais da mulher, ela tinha que se provar muito mais. As concessões que essa mulher, que hoje tem 50 anos, teve que fazer, são superiores às dessa geração que está entrando agora, afirma.
Ela acredita que, a medida em que elas avançam, há menos necessidade de se provar o tempo inteiro.
A ascensão feminina precisa ser equilibrada para que o trabalho seja sempre o nosso motor de prazer, acredita.
Impulso
Denise Hamano, 43 anos, trabalhou por mais de 15 anos na área de tecnologia, historicamente dominada por homens. Há seis anos, é uma das líderes femininas da rede de varejo Magalu. Junto com a presidente do Conselho de Administração da companhia, Luiza Helena Trajano, criou uma comunidade de mulheres de negócio dentro do grupo.
A comunidade reúne mais de 3 mil mulheres empreendedoras, lojistas da Magalu, que se apoiam para impulsionar seus respectivos negócios.
Elas estão ali dando dicas uma para outra de como vender mais o seu produto. Temos um programa de mentoria dentro da comunidade, em que as próprias integrantes se inscrevem para serem mentoras ou mentoradas. Totalmente de graça, explica.
Uma pesquisa entre as participantes do grupo, que comercializavam dentro do Magalu Marketplace, revelou que a principal dificuldade apontadas por ela para o crescimento do negócio foi a tripla jornada de trabalho.
A gente fez vários grupos focais, com vendedoras do Brasil inteiro, e a maior dificuldade que tinham no dia a dia era dar conta da casa, do negócio, dos filhos, ou cuidar de algum parente, conta. Nesse contexto, o descanso, o autocuidado ou mesmo o aperfeiçoamento profissional ficam relegados.
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