O Brasil tem o molho e agora também um recorde histórico no Oscar. Em 2026, o país conquistou cinco indicações na maior premiação do cinema mundial. A presença reforça a importância do cinema nacional na construção de imaginários e na valorização das nossas próprias histórias.

E é exatamente isso que muitos cineastas das periferias seguem fazendo, ano a ano, por meio de editais, financiamento coletivo e outros meios de fomento. No entanto, não recebem o mesmo alcance de circulação daqueles presentes na festa de Hollywood.

Como tradição nesta época do ano, a Agência Mural traz uma rica seleção de filmes dirigidos por cineastas das quebradas paulistanas e da Grande São Paulo. Muitos deles ainda estão em circulação em mostras e festivais, então anote o nome, acompanhe e fique atento às próximas exibições.

AGENTE SECRETO

O Brasil concorre ao Oscar sobretudo com o filme O Agente Secreto, indicado a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco, além da indicação de Wagner Moura na categoria de Melhor Ator.

Sonhos de Diadema (Diadema, Grande SP)

Um jovem transmasculino trabalha como entregador de aplicativo enquanto alimenta o sonho de se tornar fotógrafo.

Após uma decepção que quase o faz desistir, ele é guiado por entidades espirituais que o reconectam com a ancestralidade e com a força necessária para seguir adiante.

O filme dirigido por GIVVA, de Diadema, na ABC Paulista, retrata a busca pela identidade cultural e ancestral.

Fronteriza (Jardim Ângela, zona sul)

Lucca, um jovem homem trans da periferia de São Paulo, viaja até a tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina em busca do pai que nunca conheceu. No caminho, conhece Diego, um paraguaio que o apresenta à região a partir de novas perspectivas.

Dirigido por Nay Mendl e Rosa Caldeira, do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, o filme fala sobre as fronteiras físicas e simbólicas, questionando os binarismos de gênero, identidade e território.

Entrevista com Fantasmas (Capão Redondo, zona sul)

Existe um cinema que não existe. É com essa premissa que o diretor Lincoln Péricles, do Capão Redondo, na zona sul, faz uma reflexão experimental sobre memória, imagem e o próprio fazer cinematográfico.

O curta foi vencedor da Mostra Foco na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, uma das mostras mais importantes do cinema brasileiro contemporâneo.

Vânia & Valéria (Grajaú, zona sul)

Vânia e Valéria são apaixonadas pela vida. Juntas há mais de 30 anos, elas lutam pelo direito à alimentação saudável nas periferias e por uma vida em harmonia com a natureza. Elas também são criadoras da Turma do Nino, iniciativa que resgatou mais de 100 animais vítimas de maus-tratos.

Dirigido por Isabela Alves e Isabella Milena, do Grajaú, na zona sul, o curta retrata o cotidiano, o afeto e a luta do casal na periferia de São Paulo. As autoras também são correspondentes da Agência Mural.

Mancha (Vila Missionária, zona sul)

Dentro de uma prisão, quatro detentos se deparam com uma mancha de sangue seco em um muro. O que para alguns parece apenas uma marca banal, para outros se transforma em arte.

Entre ironias e provocações, o grupo entra em um debate filosófico sobre liberdade, moralidade e destino, revelando que, naquele espaço, a ideia de liberdade é sempre frágil e passageira.

O curta dirigido por Bruno Maciel, da Vila Missionária, na zona sul, participou do BERLIN COMMERCIAL 2025, realizado na Alemanha.

Memória de pivete (Jaraguá, zona norte)

Ambientado durante a Copa do Mundo FIFA de 2006, o curta acompanha um grupo de crianças que vivenciam a magia do futebol e da infância nas periferias, onde as relações de amizade fortalecem o direito de sonhar.

Dirigido por Pedro Bernardino Martini Santi, do Jaraguá, na zona noroeste de São Paulo, o filme aposta em uma narrativa sensível sobre memória, território e afetos construídos nas quebradas.

Artérias (Vila Nova Cachoeirinha, zona norte)

É possível mudar o olhar sobre a cidade através das intervenções urbanas? Em Artérias, descobrimos mais sobre o processo artístico de Fabio Biofa e como o artista reorganiza elementos da cidade ao propor reflexões sobre desequilíbrios sociais e estruturais.

Dirigido por Gustavo Giacobelli, da Vila Nova Cachoeirinha, o filme fala sobre a arte urbana como ferramenta de crítica e reconfiguração do olhar sobre a cidade.

Eu Volto para te Buscar (Vila Sílvia, zona leste)

Natural de Cangaíba, zona leste de São Paulo, Roger Bravo faz uma animação híbrida: 2D, 3D e live-action. O curta-metragem entrelaça esses três estilos ao narrar as memórias do protagonista, Murilo.

O cenário do filme é inspirado em bairros no qual Bravo cresceu, como o Jardim Castelo, e a Vila Sílvia, onde mora atualmente. O jovem também é responsável pela trilha sonora, com batidas de rap e funk presentes nos momentos de cotidiano e tensão do protagonista.

Eu Volto Para te Buscar foi selecionado na 29º Mostra de Tiradentes, no 15º Festival ANIMAGE, no 13º Curta Brasília e premiado como Melhor Filme pelo Júri Popular no festival FÍTAN. Atualmente, Bravo é roteirista e montador da animação Eu sou Caipora, em fase de financiamento coletivo.

Trem das Onze – Izabelli Campanelli (Mogi das Cruzes, Grande SP)

Em 8 de junho de 1972, a cidade de Mogi das Cruzes foi marcada por uma tragédia. Um choque entre dois trens causou a morte de 23 pessoas, em sua maioria, estudantes que vinham de São Paulo para estudar nas duas faculdades da região.

O Trem das Onze retorna para o que é possível captar dessa tragédia pela ótica do cinema, mesclando anúncios do governo em rádio da época, imagens de jornais, fotos do acidente e encenações ficcionais.

Esse é o primeiro trabalho da diretora Izabelli Campanelli, com experiências em produção de videoclipes e curtas-metragens. O filme, que inicialmente foi o Trabalho de Conclusão de Concurso da equipe do filme, também circulou recentemente na 29º Mostra de Tiradentes.

Agência Mural

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