Se por um lado, os circos têm como pontos positivos a riqueza cultural e a capacidade artística, por outro, enfrentam uma série de desafios, como gestão financeira frágil, atração de público e burocracias. Diante desse cenário, o Sebrae-SP está capacitando um grupo de 20 empresários e artistas do setor circense com a proposta de trabalhar organização e profissionalização.
O Projeto Crie – Circense Sebrae é realizado por meio do Escritório Regional do Sebrae-SP localizado na zona sul da capital paulista. A primeira reunião foi importante para discutir desafios e construir soluções para a melhoria do ambiente de negócios.
O setor circense é cultural e historicamente diverso, mas hoje depende fortemente de estruturas familiares, baixa formalização empresarial e enfrenta obstáculos típicos de pequenos negócios criativos, apontou Márcio Moreno, consultor de negócios do Sebrae-SP e responsável pelo projeto.
Entre as principais dores identificadas estão a dificuldade de fazer uma gestão financeira, sem o registro de faturamento e falta de capital de giro, além da dificuldade de precificação.
Outros desafios enfrentados estão a baixa atração de público, dificuldade de conseguir áreas para montagem, organização de vendas e burocracia.
Com a capacitação, os participantes terão acompanhamento para melhorar as finanças básicas, precificação, marketing, atração de público e negociação. Entre as soluções propostas estão a construção de planilha padrão de custos, construção do custo do espetáculo, criação de kit divulgação padrão e dossiê profissional, e realização de rodadas de negócios, por exemplo.
O grupo tem excelente engajamento e participação ativa, o que reforça a relevância do projeto e o potencial de impacto positivo para o fortalecimento e a sustentabilidade do segmento. Existem muitos desafios, mas a solução passa por organização, profissionalização e ações coletivas, destaca Márcio Moreno.
O diretor geral do Circo Marambio, Ramon Marambio, conta que a capacitação, já em um primeiro instante, apresentou ferramentas, antes desconhecidas, e provocou reflexões sobre o modo de trabalho, passando desde organização, planejamento e precificação. Além disso, manteve uma porta aberta para tratar de outros assuntos específicos e pertinentes, como a comunicação e captação de recursos, além de consultoria financeira.
Para os circenses como eu, que estão na itinerância com um circo, de local em local, participar dessas atividades do Sebrae é desenvolver nosso trabalho e profissionalizar processos, afirma.
Participar de um programa do Sebrae já é algo incrível, mas estar em um programa do Sebrae voltado unicamente para o circo é algo espetacular. Eu sempre falo que nós, circenses, vivemos muito dentro das nossas cercas e ter um outro olhar a partir do curso é algo fantástico, afirma Brasilina Rios da Silva, a Pepa Rios, produtora do Império Cirkus.
Motivação
O projeto foi motivado durante o atendimento do empresário Sandro João dos Santos, diretor da Brithe Gráfica. A empresa fornece serviços para circos de todo Brasil e levou as dificuldades enfrentadas pelo setor para a consultoria no Escritório Regional Capital Sul em busca de auxiliar a encontrar soluções.
Participar desta ação do Sebrae junto aos circos está sendo ótima, porque está levando até eles uma experiência de administração muito diferente do que estão acostumados. Além de abrir os olhos do que nunca pensaram em fazer, como valorizar o seu produto, o circo é uma cultura diferenciada e isso tem um valor agregado, contou Sandro.
Após análise detalhada do cenário, e em conversas contra outras áreas, verificamos que Crie Cultural e Criativo apresentava grande aderência à demanda. A proposta foi reunir esses empresários para, de forma colaborativa, discutir desafios e construir soluções que auxiliassem na melhoria do ambiente de negócios dos circos, contou Márcio Moreno.