A disputa pelo governo do estado tem sete candidatos, dos quais dois despontam como os principais favoritos nas pesquisas de intenção de voto: o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). No entanto, eles ficam abaixo de boa parte dos concorrentes que correm por fora em um quesito: falar das periferias nos planos de governo.
É o que revelam os textos registrados pelos candidatos que disputam o comando do Palácio dos Bandeirantes, analisados pela Agência Mural. Em comparação com quatro anos atrás, as citações às periferias mais do que triplicaram, passando de 22 para 79.
No entanto, esse crescimento foi puxado por partidos como UP (Unidade Popular), PSTU e PCB, que correm por fora na disputa eleitoral.
O QUE SÃO OS PLANOS DE GOVERNO
Os planos de governo apresentados para as eleições são como cartas de intenção sobre o que será feito em um eventual mandato e trazem também análises sobre o cenário nacional e estadual.
Os candidatos a governador e presidente precisam registrar suas propostas, porém não há regras sobre o formato ou sobre o que esses textos precisam apresentar. Eles não são obrigados, por exemplo, a informar de onde virá o dinheiro para cumprir essas metas.
A presença ou não dos termos periferia e periférico não significa que não haja propostas que afetem esses territórios, mas pode servir como um indicativo de como os candidatos têm observado esse tema.
Algo em comum entre os planos é que parte das citações aparece na análise do contexto atual das cidades do estado. Na sequência, os candidatos apresentam suas propostas.
Vivian Mendes (UP) é quem mais cita periferia e variações do termo: 32 vezes, espalhadas por praticamente todas as áreas do plano de governo, como saneamento, segurança, primeira infância, cultura, esporte, conectividade e comunicação comunitária.
Ampliaremos os investimentos em escolas de tempo integral, equipamentos culturais, bibliotecas, centros esportivos e espaços públicos de convivência, especialmente nas periferias, promete a candidata, citando também os municípios que historicamente receberam menos investimentos.
Formada em comunicação social e atuando como relações-públicas, a candidata também destaca a questão da moradia e afirma que é preciso transformar as condições de vida das periferias já existentes.
Construiremos moradias populares, urbanizaremos as periferias, combateremos a especulação imobiliária, garantiremos a função social da propriedade e protegeremos o direito das famílias de viver com segurança e dignidade, argumenta.
Candidata pela segunda vez, a líder sindical Vera Lúcia (PSTU) soma 20 menções às periferias e uma a favela, em um plano que aborda a violência policial, a privatização da Sabesp, o clima com obras de macrodrenagem e prevenção a enchentes e a cultura popular.
Ela propõe, por exemplo, o financiamento público direto para coletivos de cultura popular, saraus, hip-hop, teatro de rua e manifestações periféricas. Também demonstra preocupação com a questão da fome e da alimentação sustentável.
Diz que seu governo criará uma rede massiva de restaurantes populares em todas as periferias e garantirá que 100% da merenda escolar das escolas estaduais seja fornecida diretamente pela produção camponesa e familiar.
No caso de Carlos Machado (PCB), são 17 menções, com foco na desigualdade territorial: acesso à saúde, mobilidade urbana, moradia e um capítulo dedicado a uma política de Urbanização Popular, unindo regularização fundiária, saneamento e equipamentos públicos nas periferias.
As periferias devem receber investimentos equivalentes aos destinados às regiões centrais, defende o candidato.
O objetivo será eliminar as desigualdades territoriais e a segregação espacial, garantindo que toda a população tenha acesso aos mesmos padrões de qualidade urbana, independentemente do bairro onde reside.
Planos de governo em São Paulo foram registrados pelas campanhas @Magno Borges/Agência Mural
Um ponto em comum entre esses planos é a menção às periferias ao abordar a violência cometida pelas forças policiais contra moradores desses territórios. Os candidatos defendem que a atuação das forças de segurança precisa mudar e não se limitar a um braço repressivo do Estado que resulta no genocídio do povo negro e periférico.
Favoritos
Candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos) menciona o termo nove vezes no plano de governo, quase sempre associado a dois eixos específicos: segurança pública com inteligência e policiamento especialmente nas periferias e grandes centros e o pacote de obras SP Pra Toda Obra, que tem uma frente batizada de SP Pra Toda Obra Periferia, na qual fala em R$ 500 bilhões em ações.
O programa direcionará projetos de mobilidade, desenvolvimento urbano e infraestrutura socioambiental para reduzir desigualdades territoriais e aproximar a população dos serviços públicos, dos empregos e das oportunidades, diz o plano do atual governador.
Fernando Haddad (PT) cita periferia uma única vez em todo o plano dentro da proposta de saúde, ao prometer telessaúde nas unidades do interior e das periferias para reduzir deslocamentos.
Outros trechos podem indicar ações voltadas a essas regiões, mas sem mencionar diretamente o termo, como o estímulo aos pequenos negócios nos bairros e a aplicação de tecnologia com atenção especial às áreas mais vulneráveis, onde a ausência de saneamento cobra o preço mais alto em saúde.
Sem menções
Já Izadora Dias (PCO) não cita periferia nem favela em nenhum momento do plano. Policial Edjane (Agir), por sua vez, sequer havia registrado um plano de governo até a publicação deste levantamento.
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