Os dados fazem parte da edição 2026 do estudo Por Elas Que Fazem Música, lançado pela UBC, que analisou as condições das mulheres no setor e a desigualdade de gênero no setor.
As autoras concentraram 73% do total recebido pelas mulheres, enquanto as versionistas e produtoras fonográficas tiveram nível bem abaixo, ficando em apenas com 1% cada da arrecadação. As intérpretes reúnem 23% e as que executam as músicas ficaram com apenas 2%.
O estudo indicou, que em 2025, também ocorreu crescimento expressivo no cadastro de obras e fonogramas com participação das mulheres.
O total de fonogramas registrados por produtoras subiu 13%, percentual de crescimento semelhante ao verificado em obras cadastradas por autoras e versionistas, com alta de 12%.
Esse comportamento, na avaliação da UBC, indica uma melhoria na presença feminina não só como intérpretes, mas também nos bastidores da produção musical.
Para a UBC, mesmo com avanços em algumas frentes, a presença feminina ainda precisa ser fortalecida em diversas áreas do setor musical.
Segundo a entidade, uma informação significativa é o aumento de 229% na quantidade de mulheres associadas à UBC desde a primeira edição do relatório, em 2017.
Um salto expressivo que reflete o interesse e a busca por reconhecimento na indústria, mas que ainda não se traduz de maneira proporcional nos rendimentos obtidos, apontou a entidade.
Regiões
A maior concentração de mulheres na música permanece nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul, com 88% do total.
A liderança ainda é do Sudeste (60%) e o menor percentual, no Norte (3%).
No Nordeste, elas representam 17%, no Sul, 11%; e no Centro-Oeste, 8%.
Para a UBC, a desigualdade geográfica mostra a necessidade da adoção de políticas e ações que incentivem o ingressos de mulheres de todas as regiões no setor musical.
Assédio, maternidade e discriminação
Em paralelo ao estudo, a entidade fez um levantamento digital com mais de 280 mulheres, no primeiro bimestre de 2026, para avaliar as questões de assédio e violência.
Do total das pesquisadas, 65% relataram terem sofrido assédio no meio profissional. A maior parte (74%) foi o sexual, seguido do verbal (63%), do moral (56%).
Com relação à violência, 35% informaram que sofreram atos violentos, sendo 72% psicológica e na sequência toque físico sem consentimento (58%) e verbal (38%).
Quando o assunto é discriminação, 63% responderam que foram ignoradas ou interrompidas em contextos profissionais, 59% ouviram comentários que desqualificaram sua competência, 57% sentiram cobrança maior para provar capacidade e 52% tiveram créditos omitidos ou minimizados, com reuniões de negócio (45%), bastidores de shows (31%), passagem de som (27%) e processos de contratação e seleção de equipe (26%) como os ambientes mais associados a preconceitos e barreiras.
Em relação à maternidade, 60% das entrevistada com filhos sentiram interferência nas suas carreiras, especialmente, pela quantidade menor de convites, oportunidades e viagens/turnês, além de comentários negativos sobre dedicação à maternidade.
Renda
Os segmentos de rádio e show foram os mais lucrativos para as mulheres, sendo cada um com 17% da arrecadação total feminina. Em seguida, aparece streaming de música, com avanço de 11%. O cinema é o menor com apenas 0,5% da renda total das mulheres no setor.
A música é a principal fonte de sustento para 55%, mas 29% não têm como renda principal.
Das entrevistadas, 45% se classificaram como profissionais do mercado musical, 25% como compositoras, 22% como intérpretes e 8% como musicistas executantes.
De acordo com a pesquisa, 37% atuam no setor há 21 anos ou mais.
Ações
Desde 2023, a cantora e compositora Paula Lima está na presidência da UBC, sendo a primeira mulher na função. A entidade reformulou seus quadros. As mulheres ocupam atualmente mais de 57% dos postos de liderança na entidade e todas as filiais são gerenciadas por mulheres.