por Sebas Miquel* (com introdução de Samarone Lima)

Depois da eliminação vergonhosa do Brasil, fiquei com raiva. De fato, a seleção perdeu a alma, e quando a alma vai embora, nada resta. Só corpos inúteis, errando pelo mundo. E me veio a Argentina, para mostrar o que é a identidade de um povo. Pedi ao velho amigo e grande fotógrafo argentino, Sebas Miquel um texto sobre a a vitória de ontem, contra a Inglaterra. Ele respondeu rápido, no calor da vitória.

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“É só futebol”, expressou Scaloni antes da partida, o mesmo diziam Maradona e Carlos Bilardo em 1986. Mas todos sabemos que nunca é só futebol. Colonialismo, subdesenvolvimento, história, patriotismo, guerra, ditadura, Milei ou neoliberalismo (é a mesma coisa), tudo se entremeia em uma partida, tudo faz parte.

O orgulho argentino vem desde a colônia; por volta de 1800, os ingleses tentaram invadir Buenos Aires e nós os expulsamos com óleo quente e guerra de guerrilhas. As Malvinas depois foram controladas e habitadas pelos ingleses até hoje, com guerra incluída. Então, nunca é só futebol.

O futebol é a nossa última esperança, é o nosso orgulho, a nossa alegria, é pela única coisa pela qual fazemos um país parar. Não voa nem uma mosca, não há uma única alma enquanto joga a seleção, o país para. Talvez a nossa última fronteira de representação, talvez o nosso último vislumbre de identidade em um país devastado pelo imperialismo, onde os que traem estão dentro e fora. É a nossa história.

*Fotógrafo e professor de Filosofia Política na Universidade de Buenos Aires e na Universidade Nacional de La Matanza e de Jornalismo Gráfico na jornalismo gráfico na Universidade Nacional de La Plata. Venceu diversos prêmios internacionais de fotojornalismo.

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